Quando eu efetuava vendas de cimento e cal para empresas de engenharia, costumava visitar suas obras às 7 horas da manhã para saber o que estava faltando, antes do engenheiro responsável pela obra aparecer.
Quando ele chegava, eu já tinha a relação e, normalmente, vendia. Enquanto isso, nos escritórios dessas empresas, havia filas de vendedores, alguns tentando vender o que o engenheiro já tinha encomendado na obra. Meu roteiro de visitas “definitivo” era tão bem planejado com os clientes que eles já tinham o prazer de me receber no dia e horário aprazados.
Visitas semanais, quinzenais ou mensais já estavam acertadas com os clientes. Eles me recebiam como um vendedor colaborador assíduo e confiável.
Cumprindo o dever, nós ganhamos o benefício do poder.
O meu primo e patrão, levantava à 5 horas da manhã para receber
os vagões de cal que chegavam à estação Santos Jundiaí, Barra Funda, São Paulo.
No dia em que Getúlio Vargas se suicidou, levantei tarde e fui a um bar tomar o meu café da manhã, onde soube do suicídio. A cidade estava em alvoroço. Não visitei clientes naquele dia. Naquela manhã, não escutei o noticiário no meu rádio Zenith Trans Oceanic com 26 faixas que permitiam escutar o Mundo...
Depois do café, telefonei para o meu primo que já estava no escritório.
Ao falarmos sobre o suicídio, disse-lhe que tinha escutado a notícia às 7 horas pelo rádio. Nessa hora o Getúlio ainda estava vivo.
Ele se divertiu muito, comentando as qualidades... do meu rádio, tão bom, que transmitia os fatos antes de acontecerem !
“A mentira tem perna curta.”
As nossas tendências naturais e as circunstâncias da nossa infância são relativamente responsáveis pelo que somos, mas não pelas escolhas que fazemos quando adultos, vencendo ou não os obstáculos que a vida nos apresenta.
Erramos agindo sem meditar...

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